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"Delírio" de Lauren Oliver

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  • "Às vezes, sinto-me como se houvesse duas de mim, uma exatamente acima da outra: a superficial, que assente quando deve assentir e diz o que deve dizer, e outra parte, mais profunda, a que se preocupa, sonha e diz "cinza". Na maioria das vezes, elas se movem em sincronia e mal percebo a distinção, mas, outras vezes, parece que sou duas pessoas completamente diferentes e que posso me desfazer em pedaços a qualquer momento."
    (p. 45)



    Em um futuro não-determinado, o amor é considerado uma doença. A doença responsável pelos maiores males da humanidade. Quando a cura para o "amor deliria nervosa" é encontrada, torna-se lei que todos os cidadãos devem se submeter a cirurgia para a completa erradicação da doença na sociedade. Todavia, quanto mais jovem for a pessoa, maior a chance de ocorrer um erro no procedimento o que poderia causar danos cerebrais, paralisia e até cegueira. Então, o governo determina que a idade mínima e obrigatória para a cirugia é 18 anos e até lá, os jovens são submetidos a rigosas regras para evitar que sejam infectados: há toque de recolher, telefonemas são interceptados, meninos e meninas estudam em colégios separados, a "intranet" possui apenas sites autorizados, assim como as músicas e livros disponíveis passam por um rígida fiscalização do governo.

    É neste mundo sem afeto que Magdalena - ou Lena - foi criada. Entretanto, ao contrário das outras crianças, ela foi criada com muito amor. Sua mãe passara por diversas vezes pelo procedimento cirurgico e mesmo assim não deixava de amar. Até tudo se tornar insuportável e ela, então, recorrer ao suicídio. Então Lena passa a ser criada pela tia e a lembrança do que aconteceu à sua mãe a amendontra tanto que ela conta os dias para sua intervenção e assim não correr o risco de ser infectada. Faltam apenas 95 dias. E nestes dias muitas mudanças podem ocorrer, conceitos podem ser mudados e verdades reveladas.

    Antes da intervenção, Lena deverá passar pela avaliação. Sozinha em uma sala com alguns avaliadores, ela responderá a uma série de perguntas e é a partir de suas respostas que seu futuro será traçado: com  quem irá casar, quantos filhos deverá ter, onde irá trabalhar e se irá se formar em uma faculdade ou não. Tudo é decidido pelos avaliadores. Porém, todas as respostas que foram decoradas para se sair bem na avaliação aos poucos lhe fogem da mente e a verdadeira Lena começa a demonstrar que é uma pessoa que possui sensibilidade; o que poderia arruinar tudo se um incidente não tivesse ocorrido neste dia. Incidente causado pelos Inválidos - rebeldes que se recusam a serem curados e vivem na Selva. É neste dia também que Lena vê Alex pela primeira vez. E, será ele o responsável por abrir os olhos dela para a verdadeira sociedade em que vive e o responsável por infectar a garota com o "amor deliria nervosa".

    Estava curiosa para ler este livro, pois me perguntava como o amor poderia ser considerado uma doença quando eu sempre acreditei que fosse a cura. Quando eu vejo o caos que o mundo está hoje, eu tenho a certeza de que tudo se resolveria com o amor por que ele é o que gera compaixão, solidariedade, gentileza, compreensão e até respeito. Então como uma sociedade pacífica seria criada em um mundo onde as pessoas não amam? Neste livro encontrei a resposta.
    Quando as pessoas passam pela intervenção não é só amor que lhe é tirado, mas qualquer sentimento. As pessoas se tornam indiferentes e pessoas indiferentes são facilmente controladas. Pessoas indiferentes não se importam, para o bem ou para mal. A frieza é tão perigosa quanto amar excessivamente ou odiar alguém. É também algo cruel.

    Depois de "Jogos Vorazes", já considero "Delírio" o melhor livro distópico dos muitos que li. Apesar de não fugir muito do que a maioria dos livros do estilo apresentam, e até ter me lembrado a leitura de "Destino", apreciei muito mais o enredo e personagens criados por Lauren Oliver. Posso afirmar que, tanto quanto Lena, fui infectada pelo "amor deliria nervosa" por Alex.
    Li cerca de setenta porcento do livro em um dia, pois simplesmente não conseguia largá-lo. E, só demorei um pouco mais para finalizá-lo por estar temerosa com relação ao desfecho. Agora, mal posso esperar para ler "Pandemônio".

    Depois de ter amado a leitura de "Antes que eu vá" e amado ainda mais a de "Delírio", já posso afirmar que Lauren Oliver é minha escritora favorita. Eu super recomendo!

    Livros filmes e musicas

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