"Às
vezes, sinto-me como se houvesse duas de mim, uma exatamente acima da outra: a
superficial, que assente quando deve assentir e diz o que deve dizer, e outra
parte, mais profunda, a que se preocupa, sonha e diz "cinza". Na
maioria das vezes, elas se movem em sincronia e mal percebo a distinção, mas,
outras vezes, parece que sou duas pessoas completamente diferentes e que posso
me desfazer em pedaços a qualquer momento."
(p. 45)
Em um
futuro não-determinado, o amor é considerado uma doença. A doença responsável
pelos maiores males da humanidade. Quando a cura para o "amor deliria
nervosa" é encontrada, torna-se lei que todos os cidadãos devem se
submeter a cirurgia para a completa erradicação da doença na sociedade.
Todavia, quanto mais jovem for a pessoa, maior a chance de ocorrer um erro no
procedimento o que poderia causar danos cerebrais, paralisia e até cegueira.
Então, o governo determina que a idade mínima e obrigatória para a cirugia é 18
anos e até lá, os jovens são submetidos a rigosas regras para evitar que sejam
infectados: há toque de recolher, telefonemas são interceptados, meninos e
meninas estudam em colégios separados, a "intranet" possui apenas
sites autorizados, assim como as músicas e livros disponíveis passam por um
rígida fiscalização do governo.
É neste
mundo sem afeto que Magdalena - ou Lena - foi criada. Entretanto, ao contrário
das outras crianças, ela foi criada com muito amor. Sua mãe passara por
diversas vezes pelo procedimento cirurgico e mesmo assim não deixava de amar.
Até tudo se tornar insuportável e ela, então, recorrer ao suicídio. Então Lena
passa a ser criada pela tia e a lembrança do que aconteceu à sua mãe a
amendontra tanto que ela conta os dias para sua intervenção e assim não correr
o risco de ser infectada. Faltam apenas 95 dias. E nestes dias muitas mudanças
podem ocorrer, conceitos podem ser mudados e verdades reveladas.
Antes
da intervenção, Lena deverá passar pela avaliação. Sozinha em uma sala com
alguns avaliadores, ela responderá a uma série de perguntas e é a partir de
suas respostas que seu futuro será traçado: com
quem irá casar, quantos filhos deverá ter, onde irá trabalhar e se irá
se formar em uma faculdade ou não. Tudo é decidido pelos avaliadores. Porém,
todas as respostas que foram decoradas para se sair bem na avaliação aos poucos
lhe fogem da mente e a verdadeira Lena começa a demonstrar que é uma pessoa que
possui sensibilidade; o que poderia arruinar tudo se um incidente não tivesse
ocorrido neste dia. Incidente causado pelos Inválidos - rebeldes que se recusam
a serem curados e vivem na Selva. É neste dia também que Lena vê Alex pela
primeira vez. E, será ele o responsável por abrir os olhos dela para a
verdadeira sociedade em que vive e o responsável por infectar a garota com o
"amor deliria nervosa".
Estava
curiosa para ler este livro, pois me perguntava como o amor poderia ser
considerado uma doença quando eu sempre acreditei que fosse a cura. Quando eu
vejo o caos que o mundo está hoje, eu tenho a certeza de que tudo se resolveria
com o amor por que ele é o que gera compaixão, solidariedade, gentileza,
compreensão e até respeito. Então como uma sociedade pacífica seria criada em
um mundo onde as pessoas não amam? Neste livro encontrei a resposta.
Quando
as pessoas passam pela intervenção não é só amor que lhe é tirado, mas qualquer
sentimento. As pessoas se tornam indiferentes e pessoas indiferentes são
facilmente controladas. Pessoas indiferentes não se importam, para o bem ou
para mal. A frieza é tão perigosa quanto amar excessivamente ou odiar alguém. É
também algo cruel.
Depois
de "Jogos Vorazes", já considero "Delírio" o melhor livro
distópico dos muitos que li. Apesar de não fugir muito do que a maioria dos
livros do estilo apresentam, e até ter me lembrado a leitura de
"Destino", apreciei muito mais o enredo e personagens criados por
Lauren Oliver. Posso afirmar que, tanto quanto Lena, fui infectada pelo
"amor deliria nervosa" por Alex.
Li
cerca de setenta porcento do livro em um dia, pois simplesmente não conseguia
largá-lo. E, só demorei um pouco mais para finalizá-lo por estar temerosa com
relação ao desfecho. Agora, mal posso esperar para ler "Pandemônio".
Depois
de ter amado a leitura de "Antes que eu vá" e amado ainda mais a de
"Delírio", já posso afirmar que Lauren Oliver é minha escritora
favorita. Eu super recomendo!
Livros filmes e musicas

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